Eu não sei se é pq eu sou pisciana ou porque eu sou louca, se é por ambos os fatores ou por nenhum deles, o ponto é outro e está escondido junto com o G (deve ter uma terra de pontos perdidos, não é possível! Ou as mulheres mentem entre si E para elas mesmas, o que eu acho BEM mais provável), mas eu tenho umas variações de humor que vão acabar fazendo com que eu me auto diagnostique como bipolar.
Ontem o dia foi péssimo, não por nenhum motivo específico ou até por algum que não vem ao caso agora, mas depois de chorar copiosamente por uma razão idiota, sair com os meus amigos e tomar um maldito shot de tequila (maldito pq tenho certeza de que a tequila foi manufaturada pela primeira vez no inferno e trazida à superfície por um demônio conhecido por seu senso de humor bastante duvidoso), eu fiquei bem. Aí, acordei meio injuriada com sei lá eu o q, mas saí na rua e o dia estava tão lindo e as crianças tão correndo e o boteco tão cheio de gente bem humorada e tudo tão colorido que não deu pra manter a falta de senso de humor faltando.
Então, resolvi fazer como nos velhos e bons tempos e escrever uma lista de exemplos de coisas, algumas bizarras outras bem prosaicas, que sempre acontecem comigo e acho que com todo o mundo mais e que sempre levantam meu astral:
1) Taxista gente fina, que conta histórias escabrosas sobre viagens de 5 dias para Ubatuba depois de levar umas minas pra lá no meio da madrugada;
2) O atendente do boteco perguntando o que eu estava escrevendo no meu diário (sim, voltei ao bom e velho diário de papel pra resmungar, que esse aqui já estava me fazendo pagar royalties aos judeus, que me informaram serem eles os donos do Muro das Lamentações, sobre o qual eu faço questão de inserir uma nota cultural de rodapé neste post) e me chamando pelo NOME. Sim, pelo NOME. Disse ele que fui eu quem disse meu nome pra ele outro dia, o que me levou a pensar que eu devo falar todo tipo de coisa pra todo tipo de gente. Isso sóbria. Muito medo do que eu digo quando estou bêbada;
3) A mania infernal que eu estou de dançar no ponto de ônibus, no ônibus, no metrô, na livraria, no boteco, na rua, em casa, em absolutamente todos os lugares;
4) Crianças (dos outros, claro) correndo e caindo e chorando e correndo e caindo e chorando de novo;
5) O filhinho de 2 ou 3 anos do vizinho do Guile, que senta na escada pra conversar comigo (a criança, gente, a criança) e já me pediu em namoro (a criança, gente, a criança) mas esqueceu e agora tem vergonha;
6) Meu amigos, todos meio insanos e todos muito amados;
7) Dia de chuva enrolada na coberta, de camisola de flanela e pantufa;
8) Telefonemas de amigos que nem me ligam com freqüência;
9) Ir tomar o ônibus, descobrir que faltam 15 centavos pra completar a passagem, oferecer trocar seu passe de metrô com o menino que tava ali, parado na dele cuidando da própria vida quando vc parou de dançar e gritou "Fudeu!" e entrar com ele em uma discussão leve pq ele quer te dar um real inteiro sem aceitar nada em troca e vc descobriu que vai precisar do passe de metrô então quer dar pra ele oitenta e cinco centavos e ele não quer aceitar de jeito manera, colocar o dinheiro no chão na frente dele quando o seu ônibus passa e sair correndo e gritando "Obrigada!"
10) A sensação boa que de vez em quando acomete a gente só por estar viva, nesta época, neste local, conhecendo essas pessoas e levando uma vidinha absolutamente prosaica e ainda assim insubstituível.
Sim, Poliana. Tava fazendo MUITA falta!
Nota cultural de rodapé:
Muro das Lamentações: As ruínas do muro ocidental do Segundo Templo de Jerusalém, de cerca de 200 A.C., destruído pelos romanos em 70 D.C. Conhecido como Muro das Lamentações porque para este local sagrado vêm judeus, em peregrinações, oferecer preces de lamentação pela destruição do templo, e de esperança pela reconstrução do mesmo. Os cânticos e preces soam como lamentações. Os judeus acreditam que a "presença divina nunca abandona o Muro".
O muro, da face oeste do templo, tem 48 metros de comprimento e 18 de altura e também faz parte do que é atualmente o muro ao redor do Domo da Rocha e da Mesquita de Al Aqsa. Este local também é sagrado para os muçulmanos e, há séculos, tem sido fonte de conflitos entre árabes e judeus.
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