Eu juro que tudo o que eu queria na vida era ser menos ansiosa. Eu queria ser uma pessoa calma, pacífica, sem neuras, mais centrada, menos emotiva. Não rola. Eu sou um vulcão em erupção 100% do tempo. Isso me exaure emocionalmente. Tenho ido dormir cansadíssima, acordado morrendo de sono e passado os dias absolutamente zumbi. MUITO péssimo.
Um dos motivos é o stress que tá rolando lá em casa. Desde que o meu namoro acabou, meus tios resolveram que eu tenho 15 anos de idade e, já que eu não tenho namorado, tô presa na torre do castelo até segunda ordem. Foi instituído toque de recolher: tenho hora pra chegar em casa e tudo. A verdade é que eu não faço idéia do que eles pensam, mas aparentemente é o mesmo que pensava... Bom não interessa. Interessa é que parece que eles acham que eu caio em absolutamente toda e qualquer cama, indiscriminadamente. Vagabunda, resumindo bastante e sem dó nem piedade de mim ou deles.
Não vou entrar no mérito de que aos 27 anos de idade e pagando minhas contas, o que eu faço ou deixo de fazer da minha vida e do meu corpo são problemas exclusivamente meus. O que me enfurece muito é o fato de eles acharem que eu tenho que ter todas as obrigações de ser adulta mas nenhum dos benefícios. Cumpra com as responsabilidades que essa família absolutamente disfuncional te obriga a ter e abra mão das poucas coisas boas que idade te trouxe. O resultado disso é que eu estou na casa da minha avó em uma espécie de asilo político, não falo com a minha tia há mais de duas semanas e a última conversa que a gente teve foi absolutamente fria, com os dois lados embucetados. Desgastante. Mas tem mais.
Nesse processo, o meu sonho de sair de casa virou decisão. Já tá todo mundo sabendo que eu quero e vou mudar. E tá todo mundo apavorado, tirando meu irmão e minha cunhada. Minha tia acha estupidez, minha mãe e minha avó começaram campanha pra eu voltar pra casa delas, meu irmão me ofereceu a casa dele. Os motivos de todos são diferentes; minha tia não quer perder a mão na roda que eu sou, cuidando de cachorro, resolvendo pepinos, tapando buracos, mas eu sei (ou assim quero crer) que eu sou a única companhia que ela tem de verdade. Meu tio a suga, meu primo a ignora, a Mazé vai embora todo dia. É o típico caso da prisão no castelo: tem tudo que o dinheiro pode comprar (meu tio inclusive acha que se compram pessoas também), mas é tão sozinha que não tem o que baste pra aplacar a solidão. Eu morro de dó, sinceramente. Amo minha tia muito mesmo, ela é minha terceira mãe, sem dúvida. Mas não dá mais pra ser tratada como criança e ouvir que eu sou uma decepção.
Meu irmão e minha cunahda já tinham me chamado pra morar com eles antes de mudarem. Que pese o fato de que eu acho que eles se sentem meio obrigados a me abrigar, tenho certeza que o oferecimento foi de coração. Eu amo meu irmão e minha cunhada e a gente se dá muito bem, mas não tem cabimento ir morar com um casal que acabou de casar e que saiu da casa da minha avó justamente pra ter o próprio canto. Eu já ando me sentindo o próprio estorvo por ter que trabalhar lá o dia todo, pq tirei a internet da casa da minha avó. As razões deles me quererem com eles são as menos egoístas.
Aí tem minha avó e minha mãe, que são a minha maior dor no coração. Eu sei que a minha avó me ama mais do que à própria vida. Ela mata e morre por minha causa sem piscar. Minha mãe... Bom, mãe é mãe. A campanha contra minha saída de casa mais forte vem delas. Elas pediram textualmente pra eu voltar pra casa. Minha avó fica numa felicidade quando eu estou lá que me corta o coração. Minha mãe se sente melhor, tenho certeza, pq não fica parecendo que a casa é vazia e que elas sobraram sozinhas.
Tudo isso tá me fazendo muito mal. Mal pq eu quero cuidar da minha vida, mas... Bom, eles são a minha família. São as pessoas que mais me amam no mundo, de forma egoísta ou não. Meu núcleo familiar é tão pequeno que gera esse tipo de problema: todo mundo acha que pode interferir na vida de todo mundo. Eu fico me sentindo egoísta de querer sair de casas só pra poder chegar no horário que eu bem entender ou nem chegar, se for o caso. Claro que não é só isso, mas na hora de pensar no assunto, fica parecendo que é. Por outro lado, eu me sinto tão amada e tão nada merecedora de tanto amor que meu coração fica apertado de dor sempre que eu entro em casa e vejo minha mãe levantar da cama pra falar comigo e minha avó cozinhando só pra fazer o que eu mais gosto de comer. Me dói ver minha tia brigando com meu tio me defendendo, apesar dela pensar exatamente a mesma coisa que ele. Tudo dói.
Não sei, acho que não tá sendo uma fase muito boa não, mas, de novo, quando foi a última?
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