Alguém já percebeu como algumas pessoas são absolutamente mais inspiradas pela tristeza do que pela alegria? E eu não sou triste!!! Nada triste!!! Posso vir a ser, mas não sou!!! Conclusão: acho que não vou ter inspiração para escrever nada nunca que vá além do meu umbigo.
De qualquer maneira, tem uma historinha triste sem começo ou final por aqui:
"E, anos depois, quando olhou para trás, se deu conta de que nenhum dos momentos da vida que vivera foi em vão, nem mesmo aqueles passados no ponto de ônibus às 3 da manhã. Porque a intensidade de seus sentimentos transformava a espera em recordações, conversas em voz alta sozinha no meio da rua, perigo constante e imediato que nunca se concretizava, justamente talvez por estar falando sozinha no meio da rua. E percebeu que sua memória estava se apagando, e esse era o pior castigo que poderia ter tido: a perda da consciência do quanto sua vida, apesar de complicada, difícil, irritante e sem sentido, havia sido feliz e única. Logo, as pessoas que amava e que agora só existiam em suas lembranças, deixariam para sempre esta terra, pois o último suspiro da memória estava se exaurindo. E tudo cairia nas sombras do esquecimento..."
Preciso dizer que, se a minha agonia final for assim, prefiro morrer nova. Porque eu sou as pessoas que amo. Nada mais eu tenho. E nada mais me importa, na verdade. E talvez isso aconteça. Alguém aí conhece uma senhora de 70 anos chamada Roberta? Das duas, uma: ou elas não existem, ou morrem cedo, e eu talvez nunca chegue a ser a velhinha do 4o andar... O que não é exatamente ruim, mas não chega a ser bom. Só é.
Mas eu não estou melancólica. Estou aqui pensando que sou capaz de escrever um trecho legal como esse, mas sou incapaz de colocar algo antes e algo depois. Acho que, como só vivo fragmentos de histórias, talvez não consiga ver seus princípios ou seus fins... E eu queria tanto escrever bem! Transportar as pessoas para outros universos, como eu mesma sou transportada sempre que pego um livro, bom ou ruim. Já pensaram na maravilha que é isso? Sabe aquela consciência de si que eu disse ser impossível perder? Pois bem, não é! Vc pode se idiotizar com a TV (e eu o faço) ou pode se perder nos livros... E eu acho que foi isso que eu fiz: me perdi em um livro e nunca mais me achei!!!
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