Conversa com a menina de cinco anos mais linda do mundo conhecido:
"- Juliana, tem certeza que esse espinho ainda não saiu? (com a pinça na mão, tentando tirar um espinho invisível do dedão dela, morrendo de medo de machucar a menina e a mãe dela vir me degolar com a colher de pegar arroz)
- Tenho, tia. Tá doendo.
- Acho melhor chamar a sua mãe, vc não acha?
- Olha ele aqui... (e espreme a parte de baixo do dedão do pé tentando tirar o espinho)
- Zeneide, vem aqui um pouco, por favor? (controlando o pânico absoluto na minha voz)
- Tenta de novo, tia!!! (com a carinha mais linda do mundo desconhecido também).
-Que foi, Ju? (mãe, com cara de ciúmes/que bom que ela me deu paz/será que é grave/cuidado ou te mato)
- Ela disse que tá com um espinho no pé (terror incontrolável no meu fio de voz)...
-Olha, mãe, aqui! (e espreme de novo)
- Deixa a mamãe tentar tirar...(mais calma um pouco, pega a pinça e tenta tirar o espinho que, eu noto, ela também classifica na categoria de "coisas que a gente finge que faz pra acalmar a criança")
- Ai, mãe!!! Doeu!!! (olhinho cheio de lágrimas)
- Peraí um pouquinho (eu, com cara de quem descobriu mesmo a resposta pra pergunta sobre a vida, o universo e tudo mais e espera que a terra não seja demolida dessa vez, e vou buscar um spray com anestésico. Espirro o negocinho). Pronto, agora é deixar secar!!! (saio pra guardar o spray)
- Mãe, a tia é mágica!!! (com cara de encantada, falando bem baixinho)"
Claro que, adulta estúpida que sou, soltei uma piada do tipo " A alopatia é mágica!" depois disso, mas fiquei mesmo pensando que mágicas são as crianças. Certo tava o Moon (ou será que foi o Bá?) quando disse que as crianças sempre dizem alguma coisa que faz o dia valer ou que bota um sorriso na cara da gente, ou algo pelo aí.
A Ju é mesmo uma princesinha de vestidinho rodado, olhos enormes de ressaca (achei, achei o diabo do olho) e cabelo preto ondulado até a cintura, meiga como uma flor, com uma tossezinha de dar pena. Vontade de levar pra casa, até que eu lembro que não quero ter filhos. Mas eu juro que tem uma meia dúzia de crianças que eu não ligaria de criar. Ela tá no topo da lista!!! E pensar que eu tava apavorada com a ídeia de que teriam seis crianças na casa. A verdade é que os quatro adolescentes e os 16 adultos tão dando muito mais trabalho, eu incluída.
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