Algumas coisas inesperadas acontecem e fazem a gente pensar em como nada na vida é perdido. Nem aquilo que a gente acha que é.
Esses dias, fuçando em algum desses sites, provavelmente o orkut, eu achei o endereço do blog do Daniel, primo do André. Aqui cabe uma explicação: o André foi meu namorado na época da faculdade. Foi uma das pessoas mais importantes da minha vida, na verdade. Meus relacionamentos se dividem em antes dele e depois dele, e olha que quando nós namoramos eu já tinha até sido noiva. Mas uma das coisas mais legais a respeito do nosso namoro era a família dele: eu amava a família do André. A mãe, os dois irmãos, os quatro primos e os tios, em especial, eram minhas paixões. Eu praticamente morei na casa dele durante o nosso namoro, e todas as semanas a gente ia jogar tranca com os tios dele.
Não me perguntem p q a família dele me tocava tanto, não sei dizer. Não era só o fato deles serem legais, era algo mais. Minha família nunca foi uma família grande, acho que esse era um dos fatores. O outro é que eu realmente sentia que eles eram minha família também. Na época, eu tinha certeza que o André era o homem da minha vida e essa relação com a família dele era uma das coisas que confirmavam essa certeza. Não me entendam mal: a família do Thiago, por exemplo, me era muitíssimo querida. Mas a família do Thiago eu sempre vi com algo vinculado a estar com ele, algo que eu nunca levaria pra fora do nosso relacionamento. Isso não aconteceu com a família do André. Até hoje eu falo com a mãe e com os tios dele. Pouco, mas falo. E os amo de paixão. Os irmãos eu vejo muito raramente, e os primos quase nunca. As primas dele eu até encontrei umas duas vezes, mas o Daniel acho que eu nunca mais vi depois que a gente terminou. E é louco isso, pq eu realmente acho que nenhum deles tem a menor noção da diferença que fizeram na minha vida. E o vínculo era pra existir, não tem jeito. Anos depois de findo o meu namoro, encontrei com a Rose, a tia dele, mãe do Daniel, no velório do meu tio. Os tios deles e os meus tios eram amigos de longuíssima data. Até vi fotos das crianças pequenas na casa da minha tia, depois. Um lugar muito pequeno, o mundo.
Mas voltando ao Daniel: o Daniel era um dos melhores amigos do André. Aliás, era uma família que se relacionava toda muito bem, tirando ele o e irmão mais novo. De qualquer maneira, eu me lembro que o Daniel foi a primeira pessoa da família do André que eu conheci. O Daniel me consolou um dia, na casa dele, na volta de uma festa da Medicina da Usp na qual eu tinha ido com a Lígia, uma das irmãs dele, e ele tinha ido com o André. Nós nem namorávamos mais e eu vi o cara xavecando outras minas. O Dani me deu a maior força, a gente conversou até o amanhecer, ele me contou que ainda era apaixonado pela ex, foi muito legal mesmo. Coisas pequenas, das quais ele nem deve lembrar, mas que fizeram diferença pra mim.
Pois bem: depois de findo o meu namoro, só tive notícias dele através de pais e tia; que ele e o André tinham ido morar juntos. Depois, o André casou e ele foi morar sozinho. E acho que meu arsenal de notícias sobre ele acabava por aí. E então eu achei esse blog. Muito legal mesmo. Conta o dia-a-dia dele em Montreal, onde ele está estudando.
Muito timidamente, eu deixei um recado, dizendo que tinha gostado bastante do blog. Mas, sinceramente, não esperava resposta nenhuma. Quer dizer, que eu terminei com o André tem uns cinco ou seis anos... P q ele responderia, não é? Eu até fico sabendo disso ou daquilo pela mãe dele, que eu adoro e com quem eu eventualmente falo, mas que diferença poderia fazer a ex-namorada do primo? E então, ele me deixou um recado muito fofo, dizendo que lia meu blog e gostava, e me desejando feliz ano-novo de uma forma que me deixou absolutamente tocada.
Me chamem de boba. Eu até sou mesmo, eu sei. Mas eu realmente tenho muito carinho por eles todos. Durante dois anos, ele foi meu primo. Depois, achei que ele talvez tivesse tomado as dores do André, já que nós não terminamos muito bem e eles eram amigos pacas. Não me peçam pra explicar porque eu fiquei tão feliz com o scrap que ele me escreveu, eu não sei explicar direito. Só sei que esse recado me deu a impressão que aqueles dois anos renderam mais do que eu esperava. Mais coisas boas do que eu esperava. Que alguma vezes... sei lá... a gente toca as pessoas também, mesmo que um pouquinho.
Post em sua homenagem, moço Daniel. Feliz Ano-Novo pra vc também, de verdade!!!
Beijos
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