quarta-feira, 4 de agosto de 2004

Depois de 3 dias sem internet, me deu síndrome de abstinência. Preciso postar coisas...

Acabou a campanha de WC que eu estava jogando há um ano e meio. Quem não joga, gosta ou conhece RPG não vai entender, mas eu estou arrasada!!! Chorei no meio do jogo e tive febre. Sem desconsiderar o fato de que eu sou um ser extremamente intenso, foi um golpe tremendo. Mas eu preciso contextualizar para todo mundo entender:

Há um ano e meio, eu perdi meu rumo com o fim do meu namoro de três anos. Tava tão acostumada com o Thi, a estar com ele, que a minha rotina de solteira me sufocava. Resolvi então começar a fazer coisas para as quais eu nunca tinha tempo, e uma delas foi jogar RPG. Entrei nessa campanha em andamento com uma personagem muito legal, uma muçulmana hacker chamada Afrah, que era russa, fugitiva da KGB e que já tinha trabalhado com vários grupos terroristas. Foi um presente do Guile pra mim, um amigo muito especial de muitos anos, mas que realmente passou a ser uma pessoa constante na minha vida a partir desse período. A personagem era simpática, gentil, inteligente, tinha um filho e uma relação muito especial com o personagem (NPC) do mestre, que era uma alegoria da nossa própria amizade.

Eu não conhecia nenhum dos outros players, e cai no meio da campanha. E a campanha foi genial. Inspirada, cheia de reviravoltas, aventuras com enredos fantásticos, a minha personagem se desenvolveu bem e foi através dela que os meus novos amigos, que jogavam comigo, me conheceram. E foi através dessas tardes de jogos que eu os conheci. Vendo todo mundo interpretar personagens que basicamente tinham muito de cada um de seus donos, eu aprendi muito sobre a Lenita, o Dani, a Nana, o Alex, o Leite, a Andréia e o Kita, só para citar os players que mais jogaram. Todo mundo adorava os jogos, o grupo desenvolveu uma união fantástica, todos os personagens tinham um potencial arrasador...

Até que um dia o Guile acordou e se deu conta de que tinha como amarrar toda a história: tinha como explicar os comos e por quês e ondes e quandos. Tudo estava encaixadinho. Sem querer ou querendo, ele tinha levado a história até um ponto em que ela podia ser toda amarrada. E resolveu acabar com o mundo.

Desde que ele avisou que faria isso, eu comecei a passar mal. Fiquei chateada, adorava o cenário, adorava a intimidade que eu já tinha com a personagem (a Afrah foi minha primeira personagem de campanha, pra não dizer a primeira de RPG), adorava tudo. Mas não teve Cristo que fizesse o Guile voltar atrás. E domingo o mundo de WC acabou. Metade dos personagens morreu. A outra metade ficou sem ter como continuar a jogar. E a história foi toda amarradinha, sem dúvida, mas ficou aquele sentimento de pesar que dá quando acabam as férias, quando termina o colégio, quando vc se forma na faculdade.

Sim, eu sou contra fins. Não entendo por que a gente tem que acabar com uma coisa quando o controle de continuar está nas nossas mãos. Tá, tudo um dia acaba. Não acho. Diria que tudo se transforma, nada acaba nunca. De qualquer maneira, detesto a idéia de fim, nunca mais, pra sempre. Quer dizer, já não basta a vida levar tanta coisa, todo dia, sem que a gente controle? Me deu a impressão que tudo que a gente pode fazer é se acostumar com as perdas, pq tudo que vc ganha é para um dia perder.

Não me entendam mal, não foi só o RPG que me fez pensar nisso tudo. Este ano tem sido particularmente difícil, com a morte da Link e tudo mais. E agora começou outra campanha com um potencial incrível, eu jogo com um personagem muito mais forte e marcante que a Afrah... ? ... Não, isso não está certo. Ela é mais forte sim, tem um potencial enorme, vai ser um desafio... Mas não vai ser mais marcante que a muçulmana hacker russa ex-terrorista. A Afrah, os jogos, as pessoas, a história, tudo isso me ajudou a passar por mais de uma fase difícil, chegando em algumas épocas, quando a doença da Link estava mais me desgastando, a ser a coisa mais legal que eu tinha pra fazer, para fugir daquele mar de problemas. A Link chegou até a ir a uma sessão de jogo, uma semana antes de morrer. Foi uma coisa boa. E me chateia ter que colocar essa frase no passado. E nunca mais vai ser igual. Poque agora eu venci a vergonha, agora eu conheço as pessoas, agora eu aprendi a separa on de off, agora... Agora eu tenho mais uma coisa pra sentir falta...

E agora também vou ficar com saudades do Guile, que foi hoje para a China e só volta no final do mês. Detalhe: embarcou com cara de quem estava tomando um trem para Paranapiacaba, de tão plácido que estava. Eu estaria alucinada, com uma úlcera flamejante de ansiedade...

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A Link teve,durante um tempo, uma mania bem peculiar: ela saía correndo pela casa, da sala até o banheiro, feito uma louca, escorregava, batia na parede, voltava feito um foguete e... Pulava na cortina. Ficava lá, pendurada, até chegar quase no teto. O problema é que ela era ótima em escalar, mas simplesmente não sabia descer. Começava a miar feito uma louca, e lá ia eu tirar a gata presa na cortina. Só pra depois de meia hora ela fazer exatamente a mesma coisa. Insano, aquele bichinho!!!!

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