Essa noite eu tive um sonho bom e ruim. Sonhei com a Link. Foi bom porque sonhos algumas vezes são tão reais que parece mesmo que vc está com o bichinho no colo, e esse foi assim. Ruim porque eu sonhei com o dia em que ela ia morrer de novo. Sim, de novo. No sonho, ela tinha morrido fazia uma semana, mas eu fui à chácara do meu avô, desenterrei a gata e ela tava viva de novo (sem piadas com Cemitério Maldito, por favor, não tô para isso). Doente, tão ruim quanto no dia em que tinha morrido, mas viva.
Eu levei a gata para casa e liguei para a veterinária, pedindo que ela trouxesse de volta todos os remédios que eu tinha dado para ela levar quando veio buscar o meu neném no meio da madrugada (eu tinha comprado quase R$ 100,00 em remédios nesse dia, e dei tudo para a Ana levar para a clínica). A veterinária foi até lá, mas ficava dizendo que era impossível, que ela ia morrer de novo. E eu agarrada na gata, que me olhava com carinha de "Vou mesmo". E então eu pensei "Tá bom, mas se ela morrer agora, ao invés de ficar tentando fazer respiração boca a boca e massagem cardíaca e puxando a língua dela para fora para ver se ela puxa para dentro (que foi o que eu fiz e me arrependo até agora), eu só vou abraçar e fazer carinho, para ela se sentir querida e amada".
Ainda bem que a Thuka me ligou e me acordou. Eu não quero mais passar por isso nem em sonho...
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Ontem passei um tempão conversando com a Fada sobre relacionamentos de todos os tipos: relacionamentos amorosos, relacionamentos de amizade e como a gente se relaciona com a gente mesmo. Isso me fez refletir um montão, então vamos por partes:
1) Amorosos
Não cheguei a nenhuma conclusão que já não tivesse tirado antes com relação aos relacionamentos em si. Continuo achando que para que exista amor, vc tem que conhecer a pessoa com quem está se relacionando, e isso leva tempo e exige esforço, o que ficou mais patente depois de saber que caras que te pedem em casamento te despedem em casamento dois meses depois e vc ainda fica sabendo que o cara tava com outra garota já há algum tempo. Até aí, nenhuma novidade na minha egrégora. Mas eu me dei conta que mudei minha postura com relação aos meus pares na dança da vida.
Antes, eu achava que quem gostasse de mim, tinha que levar o pacote todo: eu sou assim, boa nisso e ruim naquilo. Quer? Ótimo, mas não venha reclamar depois. No meu décimo relacionamento, consegui me dar conta que para ganhar mais lá na frente, vc tem que perder um pouco aqui atrás. Isso pode ser perder a mania que vc tem de ser muito dona do seu nariz e não dar satisfação da sua vida para ninguém, nem para o respectivo, tentar parar de fumar por causa do namorado, ficar na sala durante o jogo de futebol, mesmo que lendo uma revista, ao invés de se trancar no quarto ou discutir que quer ver outra coisa. São coisas que não custam nada e rendem muito (menos o cigarro, que custa pacas).
Antes, eu achava que fazer qualquer uma dessas coisas era abrir mão de quem eu era, da minha individualidade, da minha essência. Acabei me dando conta de que eu não sou feita de tão pouco. E que não custa nada ceder um pouco em pouca coisa, apesar de algumas vezes vc ter que ceder muito também. Mas acho que isso todo mundo já sabia, só eu que não. Pronto, lição aprendida.
2) De amizade
Preciso dizer que talvez a minha visão sobre relacionamentos de amizade seja um pouco romântica. POrque eu acho que os melhores amigos duram a vida toda, mesmo que vc fique anos sem vê-los. Mesmo que vcs briguem. Mesmo que vcs se machuquem.
O que ninguém parece entender é que TODO ser humano é imperfeito e, nessa condição, não está livre de fazer algo que machuque outro ser humano, mesmo que esse outro seja uma das pessoas que vc mais ama na vida. Algumas vezes por distração, algumas vezes sem conseguir evitar, uma pessoa pisa na bola com outra e a machuca. Aí vc me responde: vc não vai falar com ela nunca mais na vida?
Eu sei que tem gente respondendo que sim. Pois eu vou te dizer: é NÃO, um não bem redondo e grande. Grandes amizades se erguem sobre bases fortes, que algumas vezes são testadas. Eu já magoei pessoas pelas quais eu daria a vida, e se essas pessoas não tivessem me desculpado, elas teriam uma pessoa a menos que daria a vida por elas. Tá, talvez não a vida, mas que eu ficaria sem um rim se elas precisassem e essa porcaria servisse, eu ficaria.
Agora, preste atenção: vc só pode chamar de "melhor amigo" alguém que vc ame incondicionalmente. É aquela coisa de amar apesar de, e não por causa de. É só esse tipo de amizade que suporta toda e qualquer coisa. E eu sou uma pessoa muito mais feliz sabendo que existem pessoas pelas quais eu ficaria sem um rim. Logo, não vou sair chutando o pau da barraca e mandando para os quintos as pessoas que podem precisar dos meus órgãos, porque eventualmente elas me magoaram, me machucaram, pisaram na bola. ACONTECE!!! Quem aí nunca precisou ser perdoado?
E, só para constar, eu tenho pelo menos 4 ou 5 pessoas pelas quais eu entraria na faca, então vcs por favor não fiquem doentes. Eu tenho só um rim sobrando e não tenho certeza da condição em que ele se encontra. Fígado e pulmão, nem pensar, já não prestam.
3) Eu comigo
Então, quem nunca ficou possesso consigo mesmo por acreditar naquele idiota, dar ouvidos àquela mulher louca que por acaso chamamos de mãe, confiar seus segredos àquela jararaca que era amiga dos dois?
Quando um relacionamento do tipo 1 e/ou do tipo 2 terminam, a gente tende a dizer que foi estúpido e se recriminar. Não sei se eu sou muito condescendente comigo mesma, mas a verdade é que quando alguém trai a sua confiança (tô falando trair mesmo, uma coisa bem novela mexicana, como aconteceu com o grupo de RPG e aquela louca da... esqueci o nome dela. Que bom.), o errado não foi vc por acreditar em um cretino, mas sim o cretino em questão. Eu não fico me culpando pelo chifre que levei (e eu levei alguns); eu desconjuro o cidadão autor da galhada. Mesma coisa acontece quando eu fico afim de um cara que não me dá bola. O azar é dele, que é que eu posso fazer? Procurar problemas em mim? Aí, se eu passar a achar e começar a me "desgostar", fico como?
Sim, eu sei que eu disse que as pessoas devem ceder e mudar em alguns pontos, mas a coisa aqui é diferente. Eu não estou falando de construir um relacionamento, estou falando da busca em si. Antes de saber se o cara vale ou não o risco, vc vai começar a decorar a Nova e seus truques para "agarrar o homem certo" e transtornar a sua vida e a sua personalidade para arrumar um cara qualquer, e depois ainda dar de cara com um desperdício de tempo? Sinto muito, mas sou contra e estou fora. Até porque as pessoas que eu tenho ouvido dizer "Acho que o problema sou eu" são pessoas absolutamente fabulosas, meigas, carinhosas, empenhadas em seus relacionamentos; em resumo, pessoas que EU namoraria, não fossem mulheres.
Resumindo, NENHUM tipo de relacionamento é simples. Há que se cuidar.
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Sabe, o primeiro dia da Link em casa foi muito engraçado. Era difícil acostumar com a visão daquela bolinha de pêlos andando por ali. E ela foi muito calminha, não deu vexame, não estranhou, não nada. Sentou no sofá, subiu na janela, andou um pouquinho para lá e para cá. E eu me deliciava!!!
Quem não curtiu muito foi minha avó, que quando viu a gata reclamou (verdade que menos do que eu esperava), e disse que não ia gastar um centavo com o bicho. No segundo dia, já tinha comprado ração e areia, e era ela quem dava comida. Tanto que, a vida inteira, inclusive quando estava doente mas ainda conseguia andar, era só a minha avó levantar da cama que ela saia direto para a cozinha.
Agora, o difícil tá em se acostumar com a falta da bolinha de pêlo andando para lá e para cá e tentando escapar pela porta... Ê, vida contraditória...
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