sexta-feira, 5 de março de 2004

E aproveitando que eu tenho muito tempo livre (incrível, no escritório eu sempre tenho muito tempo livre), vou aproveitar para apresentar minha mais nova teoria sobre relacionamentos amorosos.

Essa teoria me ocorreu depois que eu e o Jú terminamos e eu fui conversar com o meu grande amigo Guile, e ele me disse uma coisa muito interessante sobre a minha personalidade: ele disse que eu tenho em mente muito bem delineado as coisas que eu não quero em um relacionamento, mas eu pura e simplesmente não sei o que eu quero. E eu não pude discutir, porque é a mais absoluta verdade. Eu tive uns relacionamentos tão traumáticos que eles me deixaram muito consciente das coisas das quais eu vou fugir pelo resto da vida, mas não deixaram tantas marcas sobre o que eu realmente quero na pessoa com quem eu pretendo dividir pelo menos parte das minhas coisas (principalmente se acabar em divórcio, mas aí vai ser caso de não querer e ter que dividir assim mesmo).

Tendo isso em mente, eu fiquei pensando, matutando, e acho que cheguei a uma conclusão: eu não gosto de me sentir indispensável, e a grande verdade é que mulher nenhuma gosta (ou deveria gostar, na minha opinião) de se sentir assim, como se toda a felicidade da pessoa dependesse de vc estar ou não com ela. Eu não cuido muito bem nem de mim, quanto mais ser responsável por quão feliz ou miserável alguém vai ser. É muito para gerenciar. Mas reparem que isso também entra na lista de coisas que eu NÃO gosto. Do que eu gosto então?

Bem, a verdade é que eu não sei, e não sei se eu deveria saber. Sim, porque eu posso fazer uma lista de coisas que me agradaram em cada um dos meus namorados, mas nada garante que eu vou gostar de alguém que apresente todas elas. Pode ser que sim, pode ser que não. Acho que gostar é uma coisa que vem não desse ou daquele defeito, mas sim desse ou daquele defeito NAQUELA pessoa. O que realmente importa é o que vcs constroem juntos, o que fica depois que acaba. Mas eu cheguei sim a uma conclusão sobre o que é o relacionamento ideal para mim.

Eu não quero uma pessoa sem a qual eu não viva, ou uma pessoa que não viva sem mim. Isso é romantismo demais para a minha pobre cabecinha. O meu ideal de relacionamento são duas pessoas que vivem sim muito bem uma sem a outra. Elas não precisam estar juntas para serem felizes, para estar bem. Mas como elas se gostam e se fazem felizes sem que sejam obrigadas a isso, elas ESCOLHERAM ficar juntas, porque ambas vivem melhor juntas do que separadas.

É isso. Pode achar que não é romântico o quanto quiser. Eu acho absolutamente perfeito. Porque ninguém nunca vai preencher um vazio seu nem vc nunca vai preencher um vazio de alguém. Mas vcs podem ESCOLHER (essa palavra é linda, não é? Deveria ter colocado na minha lista) a felicidade juntas, e podem se ajudar, e podem se amar, e podem ser felizes.

Meu, fiquei muito feliz com essa minha conclusão. Agora, é ir à luta. Mas sem esquecer as sábias palavras da nossa amiga Mae West:

“Enquanto não encontrar o cara certo, divirta-se com os errados!!!”

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