Bom, deixa ver... Não tem nada muito legal pra contar não. Na verdade, tô morrendo de vontade de chorar. Tô me sentindo tão pequenininha!!!!
Sabe, eu sempre tive probleminhas com a minha avó, como todo mundo tem problemas com as pessoas que as criam. Já passei pela fase rebelde, já passei pela fase de ódio flamejante, agora estou em uma fase mais na minha, mais light. Pelo menos eu pensei.
A história toda é a seguinte: quando meus pais se separaram, eu era muito nova, tinha 4 anos. Minha mãe não quis ficar naquele buraco de fim de mundo das Minas Gerais onde meu pai comprou uma fazenda. Tá que a gente morava em Montes Claros na época, mas eu só tenho a agradecer à minha mãe, pelo menos por isso. A única condição que o meu pai impôs para dar a separação foi que minha mãe fosse morar com os meus avós, os pais dela. Meu pai não botava fé na minha mãe, o que se provou até coerente mais tarde, para criar duas crianças sozinha. Pra encurtar, fomos morar com a minha avó e o meu avô.
Meus avós vieram de uma cidade chamada Timburi, no interior de São Paulo, e tiveram uma infância super pobre. Na verdade, minha mãe e minha tia tiveram uma infância super pobre aqui em São Paulo, que foi pra onde eles mudaram depois que se casaram. Meu avô batalhou pacas pra estar nas condições em que estava quando nós nos mudamos pra casa deles depois da separação. Uns 4 anos depois, minha tia também foi pra lá com o meu primo.
Meus avós têm três netos: eu, a mais velha, meu primo Thiago, de 24, e meu irmão, o Lê amor da minha vida, de 23. Quando nós éramos crianças, o meu primo era o amor da vida da minha avó. Ele era o neto mais genioso, mas era o mais carinhoso com ela. Só que meu primo foi morar na Espanha com a minha tia quando eu tinha 12 anos e ele 11, e ficou 5 anos morando lá. Foi um sofrimento tremendo pra todo mundo, nós fomos criados juntos, mas pra minha avó acho que foi pior.
Logo depois, minha mãe casou de novo e meu irmão foi morar com ela. Meu avô, nessa época, já tinha ido morar no Embú. Ficamos só nós duas na casa. Junte isso ao fato de eu ser a única neta, acho que foi nessa época que ela desenvolveu um amor que beira o doentio por mim. Eu virei a vida da minha avó. E de lá para cá tem sido assim.
Isso me incomoda um pouco, sempre incomodou, até porque hoje meu irmão mora com a gente e a preferência dela por mim é descarada, e eu fico puta, porque o meu irmão deve ser, de longe, a pessoa que eu mais amo nesse mundo. Então, ela pega no pé dele e eu defendo, pra evitar que ele dê uma resposta atravessada e deixe ela com a razão e, dessa forma, nossa vida é praticamente um inferno. Mas vc aprende a conviver com tudo nessa vida, até com isso. Assim, a gente leva.
Em janeiro, em vim para a casa da minha tia. Estava precisando de férias deles, não agüentava mais interferir em briga e servir de pombo correio pros dois. Estou aqui até agora, vai vendo. Eu e minha tia sempre nos demos muito bem. Claro, de perto todo mundo tem defeito, só a bailarina que não tem, mas ela é dez (minha tia, não a bailarina). E eu meio que me desliguei lá de casa. Passei já um mês inteiro sem falar com a minha avó, mas eu sinto saudades. Dela, do meu irmão, da minha gata. Estava até pensando em voltar pra casa, até hoje.
A nova moda agora é almoçar lá em casa toda quinta-feira. Eu, minha tia e minha mãe vamos pra lá e almoçamos com ela. Minha avó cozinha muito, e como a gente quase não se vê, ela faz tudo que a gente pede. Inclusive, teve panqueca hoje, Fê!!!
Sempre vai tudo bem, até uma certa hora, quando ela começa a reclamar de tudo e de todos, e começa um rosário de críticas sobre mim que não tem mais fim. E hoje, que eu estava especialmente chateada por razões diversas que eu nem sei ao certo quais são, acabei dando umas respostas horrendas.
A pior parte foi que eu não gritei, nem alterei a voz, só falei uma ou duas coisas que agora estão doendo mais em mim do que nela, tenho quase que certeza. E eu me sinto mal, porque eu amo sim a minha avó, e precisava ter mais paciência. Ela sempre fez tudo por mim e, de todas as pessoas que sempre conviveram com ela, eu sou a que menos tenho do que me queixar. E eu sei que não adianta que ela não vai mudar, que eu é que tenho que ser mais paciente, mas na hora, quando eu vou ver já foi!
Minha tia me disse que o meu nível de tolerância com a minha avó está em 0. Na hora eu neguei, mas hoje foi verdade. E quando a gente veio embora, ela ficou chorando. Por mais que eu saiba que isso é meio chantagem emocional, o outro meio fui eu que forneci. Então, eu tô com raiva, peso na consciência e tô triste.
Péssimo!!!
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