sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Se todas as vezes em que desejei tivesse meu desejo sido saciado
eu nunca teria dado valor ao acaso, ao destino jogado nesses dados
que, como ondas, nunca reproduzem duas vezes o mesmo resultado e
quando o fazem é somente para arrastar sonhos de sal e areia,
jogados dentro daquela caverna no canto da praia na qual ninguém entra
com medo do espírito da garota que foi feliz mas se deixou marcar pra sempre
pela vida e só encontrou paz no frio e úmido abraço do mar,
em meio ao naufrágio do faz-de-conta da alma agora para sempre aprisionada
num tempo em que tudo era não amor, mas era...

Não esse vazio que faz do corpo uma casca,
não essa dor que a preenche,
não esse desespero que varre os dias todos.
Era sol.
Ou chuva.
Mas azul.
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Eu não gosto de escrever esse tipo de texto. Detesto achar que vão ler e dizer que gostaram pra me agradar. Detesto pensar que não vão gostar. Mas eu escrevia muito disso quando tinha 12 anos e fiquei chateada por ter parado. Acho que andar com desenhistas e ilustradores por todos os lados me fez querer também produzir alguma coisa e não só consumir o que os outros fazem . Como eu desenho tão bem quanto canto (e quem me conhece sabe que como cantora eu daria uma ótima criadora de grilos falantes), achei melhor escrever.

A verdade é que eu descobri um mundo terrível na minha cabeça. Acho que ele sempre esteve lá, mas eu sempre o reprimi tanto que não tinha nem me dado conta do buraco negro que ele tava abrindo ali do lado da hipófise. E alguém disse ser mais fácil escrever coisas legais quando a gente não tá legal. Vamos ver se é verdade. Pq, se for, eu vou ganhar um Pullitzer antes do final deste ano, com o andar da carruagem. Pq alguém também disse que a vida não era justa mas sim uma grande decepção. E eu tento não acreditar, mas aí vem o mundo e as pessoas e o buraco negro...

Espero que seja falta de sono o meu mal.

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