Se todas as vezes em que desejei tivesse meu desejo sido saciado
eu nunca teria dado valor ao acaso, ao destino jogado nesses dados
que, como ondas, nunca reproduzem duas vezes o mesmo resultado e
quando o fazem é somente para arrastar sonhos de sal e areia,
jogados dentro daquela caverna no canto da praia na qual ninguém entra
com medo do espírito da garota que foi feliz mas se deixou marcar pra sempre
pela vida e só encontrou paz no frio e úmido abraço do mar,
em meio ao naufrágio do faz-de-conta da alma agora para sempre aprisionada
num tempo em que tudo era não amor, mas era...
Não esse vazio que faz do corpo uma casca,
não essa dor que a preenche,
não esse desespero que varre os dias todos.
Era sol.
Ou chuva.
Mas azul.
______________________________________________
Eu não gosto de escrever esse tipo de texto. Detesto achar que vão ler e dizer que gostaram pra me agradar. Detesto pensar que não vão gostar. Mas eu escrevia muito disso quando tinha 12 anos e fiquei chateada por ter parado. Acho que andar com desenhistas e ilustradores por todos os lados me fez querer também produzir alguma coisa e não só consumir o que os outros fazem . Como eu desenho tão bem quanto canto (e quem me conhece sabe que como cantora eu daria uma ótima criadora de grilos falantes), achei melhor escrever.
A verdade é que eu descobri um mundo terrível na minha cabeça. Acho que ele sempre esteve lá, mas eu sempre o reprimi tanto que não tinha nem me dado conta do buraco negro que ele tava abrindo ali do lado da hipófise. E alguém disse ser mais fácil escrever coisas legais quando a gente não tá legal. Vamos ver se é verdade. Pq, se for, eu vou ganhar um Pullitzer antes do final deste ano, com o andar da carruagem. Pq alguém também disse que a vida não era justa mas sim uma grande decepção. E eu tento não acreditar, mas aí vem o mundo e as pessoas e o buraco negro...
Espero que seja falta de sono o meu mal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário