domingo, 30 de outubro de 2005

Sabe, se tem uma coisa que me chateia é me sentir sozinha. Entenda bem: não é ESTAR sozinha, é me SENTIR sozinha! É aquela hora que vc olha pro lado e o que falta não é uma pessoa, mas uma série de coisas: carinho, colo e etc. Claro que o fato de ser 01:08 da manhã da madrugada do sábado pro domingo, o fato de eu estar trabalhando sozinha na casa do meu amigo e de estar escrevendo estas linhas entre uma morosidade e outra do search do Windows XP não ajuda em nada.

Eu sou uma pessoa que normalmente fica bem sozinha. Quer dizer, depois de crescer em um apartemaneto de 60m2 que no hit de frequentadores chegou a acomodar 12 pessoas em três quartos, eu realmente sonho com um canto meu. Fui ter quarto só pra mim com 13 anos, pq minha tia foi morar na Espanha e minha mãe casou de novo e levou meu irmão. Nessa época, o apartamento ficou só para mim e para a minha avó, e eu chorava quase todo dia porque queria minha tia e meu primo de volta ao Brasil (meu irmão e minha mãe estavam em Moema, era perto) e não gostava muito do meu quarto. A coisa ficou pior quando eu entrei na adolescência e a minha avó começou a fuçar nas minhas coisas, ler meus diários, abrir minha correspondência e não me dar recados deixados por vozes masculinas. Parando pra pensar nisso tudo agora, não é de se estranhar que eu seja tão zelosa da minha privacidade: eu nunca a tive. Como eu fui criada com minha avó, minha mãe e minha tia, também rola o problema de que todo mundo sempre achou que tinha o direito de palpitar na minha vida. Acham até hoje, pra ser bem sincera. Como eu sou muito diferente do meu primo (que foi criado em uma redoma de vidro, da maneira mais convencional possível: procura menina virgem pra casar, tenho certeza) e do meu irmão (o cara mais sossegado da história deste país e com certeza o único a não seguir o lema “eu sou homem então eu posso tudo” da familia Bronzatto), eu sempre criei muito atrito com as mulheres da famíla, todas MUITO retrô, tirando minha mãe, que frequentava o Madame Satã e fez tatuagem, tudo uns 20 anos antes de eu mesma fazer essas coisas todas. Eu sempre fui a ovelha negra da família, a descabeçada, a eterna criança. Acho tudo isso muito interessante, principalmente se considerarmos que eu sou a mais sossegada e pacífica de todos os meus grupos de amigos. Fico pensando se elas tivessem tido filhos realmente da pá virada, como não teria sido a vida desses coitados.

A verdade é que eu gosto de ficar sozinha, talvez porque eu quase nunca fique. Mas a sensação da qual eu estou falando é pessima. É olhar e sentir falta de alguma coisa que vc não tem exatamente certeza do que seja. É parecer sozinha não por hoje, mas pela vida. Não é a solidão da ausência do contato fisíco, é uma coisa mais sutil, como se o mundo estivesse girando e vc estivesse sendo absolutamente ignorado. É mais como se sentir comum, ser mais um, não ter nada de especial, não ser especial pra ninguém. Nessas horas eu sempre penso na fala daquela menina do filme Beleza Americana, algo como “Não tem nada pior do que ser comum”. Acho que não é exatemtne isso, mas vai pelo aí.

Tremenda injustiça da minha parte dizer isso, porque eu sei que sou uma das pessoas com mais amigos que eu conheço. Amigos mesmo, que me amam, que eu sei que estão aí pro que der e vier. E não é o fato deles não estarem aqui agora que está me chateando. Nem sei exatamente que é. Mas eu tô sentindo falta de alguma coisa, como se eu tivesse que estar em algum lugar mas não estou e nunca mais vou ter a oportunidade de estar.

Ou vai ver é só sono mesmo, sei lá.

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