quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Passei pra dizer algumas coisas:

- O livro sobre depressão que eu estou lendo está me convencendo de que eu talvez seja maníaco-depressiva, do tipo que, caso caia em uma crise, talvez nunca mais saia. Por isso eu sou contra esse tipo de leitura mas, agora que eu já comecei, vou terminar. E aviso se eu for depressiva mesmo. Ou se a Poliana voltar.

- Minha avó paterna está hospitalizada em virtude de seu quarto ou quinto derrame. Ontem eu e meu irmão fomos visitá-la. E voltamos mortificados. Ela nunca foi a minha avó mais legal, nem a mais próxima, nem a mais nada, mas ainda sim é minha avó, está sem poder falar, sem poder mover o lado esquerdo do corpo e eu constatei que eu sou uma bela porcaria de ser humano. Ontem, foi a primeira vez que eu senti que ela estava realmente feliz de nos ver, e isso me matou. Porque não dá para recuperar os anos que a gente perdeu, porque ela é velhinha e, de uma forma ou de outra, vai morrer, talvez logo. Porque talvez tudo isso deixe seqüelas. Porque eu sei que eu não devo ter pensado nela mais do que umas três ou quatro vezes por ano nos últimos 5 ou 10 anos. E porque eu não sei o quanto ela pensou na gente. Sinceramente, espero que não muito, porque nós não merecemos que ela tenha sentido a nossa falta. Pior, ela não merece ter sentido a nossa falta. Tá, ela é reclamona, ela é mandona, ela sempre teve uma preferência clara pelos meus primos, mas ela é minha avó. Eu e meu irmão tínhamos concluímos, anos atrás, que éramos as pessoas com mais bom-senso da família Bronzatto. Conclusão errada, como ficou provado ontem, quando ela tentou falar e não conseguiu, quando ela tentou mandar um beijo e não conseguiu, quando ela não conseguiu ficar com os olhos abertos cheios d'água por nos ver por mais do que 5 ou 6 segundos. Isso me levou a pensar na minha tia, filha dela, que perdeu o marido há uns 3 ou 4 anos, e nos meus primos, filhos dessa minha tia, que passaram pela perda do pai sem um apoio mínimo da nossa parte, e que agora estão passando por essa situação com a minha avó sem nem contar com a gente. Sim, pq ela está hospitalizada há duas semanas e ninguém tinha nos avisado. Ficamos sabendo por acaso. E a culpa disso é mais nossa do que deles, sem dúvida.

Era tudo que eu precisava: provar mais e mais que eu não sou quem eu queria ou mesmo quem eu pensava ser.

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