terça-feira, 4 de maio de 2004

Era uma vez uma menina. Ela devia ter uns 7 anos quando eu a conheci, e não era uma menina comum. Desde cedo sempre demonstrou um caráter impressionante, tão impressionante que sempre agregou um número imenso de pessoas a sua volta. Não que todo mundo a conhecesse (ela sempre foi muito seletiva, sabe) ou mesmo fosse com a cara dela, mas quem teve o privilégio de se tornar sua amiga sempre a admirou. Para algumas pessoas, como eu, ela foi se tornando, ao longo dos anos, um referencial. Todo mundo admirava sua inteligência, sua força de vontade, sua mente centrada.

Essa menina cresceu, e esse processo não foi fácil, como nunca é. Teve momentos muito doloridos, amores não correspondidos, brigas definitivas que, para a minha sorte, não se provaram tão definitivas assim, consolações no banheiro da escola e baladas na fase adolescente. Eu morria de ciúmes dessa menina porque todo mundo que se tornava sua amiga não queria nunca mais sair de perto e, durante anos, todas essas amigas morrieram de ciúmes umas das outras. Eu tive a sorte de, entre idas e vindas ao longo de muitos anos, estar sempre ali; talvez não como a mais presente, mas sempre me sentindo insubstítuível.

Pois bem: um dia, essa menina conheceu um menino. Um menino muito legal. Um menino que, também ao longo de muitos anos, porque a menina em questão não tem pressa de nada que realmente importe nunca, foi ajudando essa menina a crescer. Com ele, a menina aprendeu milhares de coisas: a ser mais tolerante, a dividir mais seus medos, a confiar mais nas pessoas, a ter menos medo de se entregar. Acredito que o menino também aprendeu muitas coisas com ela (eu não conhecia o menino antes), mas o mais legal de tudo foi assisitir ao crescimento de duas pessoas que nem eram tão parecidas assim e que resolveram dar as mãos e seguir a mesma estrada juntos. E assim os anos foram passando. E os anos foram muitos.

Não pense que tudo foram flores. Eles tiveram (e ainda têm) suas diferenças. Houve brigas, separações, pazes, sustos, medos e todos os ingredientes que fazem de todo relacionamento uma bela novela mexicana. Mas eles passaram por tudo isso com fé; os problemas resolvidos mais definindo o relacionamento do que cavando buracos em sua base, uma base tão sólida que os dois resolveram construir, juntos, suas vidas sobre ela, e agora estão cruzando a última fronteira dos relacionamentos modernos: estão casando.

Eu não acredito em almas gêmeas, já disse. Não acredito porque a idéia de alma gêmea implica que em um ser feito tão sob medida para vc que o seu relacionamento vai vir pronto do além. Mas eu acredito em duas pessoas que se esforçam para fazer um relacionamento dar certo. Eu sei que a ala mais romântica vai dizer que amor não exige esforço, mas eu discordo veementemente. Dividir suas coisas, seus sonhos e sua vida com alguém exige um esforço danado, além de um bocado de paciência e muito bom-senso. E isso, além de amor, é claro, essa menina e esse menino têm de sobra.

Parabéns, Fê!!! Parabéns, Dan!!! Mil felicidades, do fundo do coração. Eu sou muito grata por ter tido a chance de fazer um pouquinho de parte dessa história com vcs. Amo vcs!!!

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